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Instabilidade na Emissão de NFS-e Nacional na Reforma Tributária: Causas, Impactos e Soluções

 

Instabilidade na Emissão de NFS-e Nacional na Reforma Tributária: Causas, Impactos e Soluções

Por Karen Semeone

Introdução

O início da obrigatoriedade da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) com padrão nacional, em janeiro de 2026, marca uma etapa crucial da Reforma Tributária do consumo. A inclusão dos tributos CBS e IBS nos leiautes, mesmo em caráter de teste, trouxe desafios técnicos e operacionais para empresas e municípios. Este artigo analisa os principais problemas relatados, suas causas e orientações práticas para garantir conformidade.

  1. Contexto Normativo e Obrigações

A LC nº 214/2025 e as Notas Técnicas publicadas pelo Comitê Gestor da NFS-e estabeleceram a obrigatoriedade de destacar CBS (0,9%) e IBS (0,1%) nos documentos fiscais a partir de 2026, sem recolhimento imediato. A medida visa preparar sistemas para a transição completa em 2027. Apesar da flexibilização das regras de validação, a obrigação legal permanece.

  1. Principais Problemas Identificados
  • Instabilidade no sistema nacional: relatos de falhas, mensagens de 'cadastro não encontrado' e divergências na solicitação de códigos, mesmo com protocolos seguidos corretamente. Capitais como Fortaleza, São Paulo e Juiz de Fora foram citadas, além de municípios menores.
  • Baixa adesão plena: embora 5.465 municípios tenham aderido ao convênio nacional, apenas cerca de 35% estavam com a plataforma ativa no início do ano.
  • Orientação da Receita: o Fisco reconheceu instabilidade até 5 de janeiro, atribuindo-a ao alto volume de acessos e à falta de configuração completa por parte das prefeituras. A recomendação é que contribuintes busquem os municípios para resolver impasses.
  1. Impactos Operacionais e Riscos
  • Empresas: risco de paralisação por impossibilidade de emissão de notas e necessidade de retrabalho.
  • Municípios: desafios para configurar sistemas próprios ou migrar para o emissor nacional.
  • Compliance: ausência dos campos IBS/CBS configura inobservância da legislação, mesmo sem rejeição técnica imediata.
  1. Orientações Práticas para Empresas
  • Verifique a situação municipal: confirme se a prefeitura habilitou o emissor nacional e os contribuintes.
  • Atualize sistemas internos: inclua os campos de IBS/CBS, mesmo facultativos, para evitar ajustes futuros.
  • Monitore notas técnicas: acompanhe evoluções como a NT SE\CGNFS-e nº 004 e nº 005, que tratam da flexibilização e novos layouts.
  • Planeje testes contínuos: utilize ambientes de homologação para validar integrações antes da produção.
  1. Perspectivas e Benefícios da Padronização Nacional

Apesar das dificuldades iniciais, a padronização da NFS-e promete maior transparência, redução de custos e simplificação do compliance. A integração nacional é um passo estratégico para modernizar a tributação do consumo no Brasil e representa um grande avanço no sistema tributário brasileiro.

Conclusão

A instabilidade na emissão da NFS-e nacional reflete os desafios da transição para um sistema tributário mais simples e eficiente. Empresas que anteciparem ajustes tecnológicos e operacionais estarão mais preparadas para a fase definitiva da Reforma, prevista para 2027.

 

Referências

Folha de S. Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/empresas-tem-dificuldades-para-emitir-nota-de-servicos-no-inicio-da-reforma-tributaria.shtml

JOTA. Disponível em: https://www.jota.info/tributos/transicao-da-reforma-tributaria-contribuintes-enfrentam-instabilidade-para-emitir-notas-fiscais

Fenacon. Disponível em: https://fenacon.org.br/reforma-tributaria/contadores-relatam-instabilidade-para-emissao-de-nfs-e-nacional-receita-orienta-buscar-os-municipios/

*Karen Semeone é Advogada Tributarista, especialista em Impostos Indiretos e Sênior Tax Manager na Systax.

 


 

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