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Como organizar sua empresa para conviver com dois sistemas tributários ao mesmo tempo (2026–2033)

Como organizar sua empresa para conviver com dois sistemas tributários ao mesmo tempo (2026–2033)

 

A Reforma Tributária inaugurou um período inédito no Brasil. Entre 2026 e 2033, empresas precisarão operar simultaneamente com dois sistemas tributários distintos.

De um lado, permanecem tributos como ICMS, ISS, PIS e COFINS. De outro, entram gradualmente a CBS, IBS e o IS, com novas bases, lógicas e critérios de crédito.

Essa convivência não é apenas técnica, ela impacta processos, pessoas, sistemas e decisões estratégicas ao longo de vários anos.

 

Por que esse período exige uma nova forma de gestão fiscal  

A complexidade das regras tributárias, somada ao aumento do cruzamento eletrônico, exige velocidade e precisão. Por isso, a automação não substitui profissionais: ela amplia a capacidade analítica e reduz tarefas repetitivas.

Além disso, processos automatizados criam trilhas de auditoria, garantindo decisões mais transparentes. Essa rastreabilidade fortalece a governança e oferece maior segurança em fiscalizações.

Papéis que mudam com a automação tributária

Historicamente, mudanças tributárias no Brasil ocorreram de forma pontual. Agora, a transição é longa, progressiva e cheia de etapas intermediárias. Isso significa que erros não se limitam a um exercício fiscal.

Eles podem se propagar por anos, acumulando riscos operacionais e regulatórios, além disso, o aumento do cruzamento eletrônico torna divergências mais visíveis, sem organização, a empresa perde controle e previsibilidade.

 

O desafio da coexistência de regras e lógicas diferentes

Durante a transição, uma mesma operação pode ser impactada por regras distintas, isso exige atenção redobrada na interpretação da legislação e na aplicação prática.

A lógica de créditos, por exemplo, passa por mudanças graduais: aplicar critérios incorretos compromete apurações futuras e decisões financeiras.

Por isso, entender qual sistema se aplica a cada etapa torna-se fundamental, essa clareza evita sobreposição de erros e retrabalho constante.

 

Mapear a jornada tributária é o ponto de partida

Antes de reorganizar processos, é preciso enxergar o cenário completo, mapear a jornada tributária revela como tributos entram, circulam e são apurados.

Esse mapeamento deve incluir operações, filiais, regimes e obrigações acessórias. Também deve considerar impactos por estado, setor e tipo de operação. Com essa visão, a empresa deixa de reagir às mudanças, ela passa a se antecipar aos impactos da transição.

 

Governança fiscal como eixo central da organização

Conviver com dois sistemas exige decisões consistentes ao longo do tempo, a governança fiscal garante que essas decisões sigam critérios claros e documentados.

Sem governança, cada área interpreta regras de forma isolada. Isso aumenta divergências internas e fragiliza a operação como um todo.

Uma estrutura mínima de governança envolve:

  • Definição clara de responsabilidades entre fiscal, contábil, TI e jurídico;
  • Políticas formais para interpretação e atualização de regras;
  • Registros das decisões adotadas durante a transição;
  • Rotinas periódicas de revisão e validação.

Essa base sustenta a empresa durante todo o período de convivência.

Parametrizações deixam de ser ajuste técnico

Entre 2026 e 2033, parametrizações não podem ser tratadas como tarefa pontual, elas se tornam um processo contínuo e estratégico.

Cada mudança normativa pode exigir ajustes em cadastros, regras e integrações. Parametrização incorreta afeta cálculos, créditos e obrigações. Manter revisões frequentes evita erros em cascata, além disso, facilita auditorias internas e externas ao longo da transição.

Capacitação: pessoas precisam entender dois modelos ao mesmo tempo

O maior risco não está apenas nos sistemas, ele está na interpretação humana das regras. Equipes fiscais precisarão dominar dois modelos tributários simultaneamente. Isso exige capacitação contínua, prática e alinhada à realidade da empresa.

Profissionais bem preparados conseguem identificar riscos antes que eles se materializem. Também apoiam a liderança em decisões estratégicas durante a transição.

Tecnologia como sustentação do cenário duplo

Manter controles manuais em dois sistemas paralelos amplia riscos exponencialmente, a tecnologia passa a ser elemento central da organização fiscal.

Sistemas integrados ajudam a separar regras, validar cálculos e rastrear dados. Automação reduz falhas humanas e aumenta a consistência das informações, portanto, ferramentas tecnológicas facilitam ajustes conforme a legislação evolui. Isso garante agilidade sem perda de controle. 

Tratar a transição como um projeto de longo prazo

A convivência entre sistemas não termina em 2026. Pelo contrário, ela se estende até 2033, com ajustes progressivos. Por isso, a organização deve ser contínua. Além disso, planejamento, revisão e monitoramento precisam fazer parte da rotina.

Empresas que tratam a transição como projeto permanente, em geral, sofrem menos impactos. Dessa forma, elas conseguem diluir ajustes ao longo do tempo, com mais segurança e previsibilidade. 

Por outro lado, postergar a organização aumenta o custo do ajuste no futuro, já que problemas pequenos tendem a se acumular e se tornar estruturais. Consequentemente, decisões mal documentadas dificultam correções posteriores e, ao mesmo tempo, a falta de rastreabilidade fragiliza a empresa diante de fiscalizações. Portanto, organizar-se cedo reduz riscos e melhora a capacidade de adaptação ao novo cenário tributário. 

Conclusão

Conviver com dois sistemas tributários é um desafio complexo e duradouro, mas ele pode ser administrado com organização, governança e planejamento.

Entre 2026 e 2033, empresas que estruturam processos, capacitam equipes e investem em tecnologia terão mais controle. Mais do que cumprir regras, estarão preparadas para decidir com segurança em um cenário em constante evolução.

 

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Redação Atvi

  1. Receita Federal do Brasil – Reforma Tributária do Consumo e materiais de transição.
  2. Senado Federal – Leis Complementares e cronograma da Reforma Tributária.
  3. IBGC – Boas práticas de governança aplicadas à gestão tributária.


 

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